sexta-feira, 28 de maio de 2010

MOVA PARÁ ALFABETIZADO


O MOVA Pará surge no intuito da necessidade de se fazer frente a uma das maiores mazelas sociais que marcam a história do Brasil e, em particular deste Estado, cujos índices de analfabetismo têm persistido entre os mais elevados do país.

Foco do problema no Estado do Pará está nas regiões nordeste e no Marajó

"Com 46,1% mil analfabetos, Belém é a 12º capital brasileira com o maior número de analfabetos. É mais da metade do núnero de indivíduos nessa situação em Santarém (19,1 mil), que aparece na segunda posição do Estado.
Em seguida aparecem Marabá, Breves e Ananindeua, com 17,8 mil, 15,3 mil e 14,4 mil, respectivamente.
[...] Dados do IBGE apontam que o foco do analfabetismo paraense fica nas regiões do Marajó e do Nordeste. Em pelo menos sete municípios dessas áreas, a taxa de analfabetismo beira a metade da população. É o caso de Anajás, no Marajó, que tem 49,37% dos habitantes sem condições de entender ou escrever um simples bilhete. O número é próximo do apontado em Cachoeira do Piriá, no nordeste paraense. Com mais de 4 mil habitantes analfabetos, a taxa do município é de 47,6%. Em seguida, aparecem três municípios marajoaras:  Portel (44,1%), Afuá (43,6%) e Melgaço (41,9%). Garrafão do Norte (41,73%) e Nova Esperança do Piriá (40,2%) completam a lista dos municípios que possuem mais de 40% da população de analfabetos". (Texto extraído de documentos do MOVA PARÁ ALFABETIZADO bREVES - Pa 2010)

O INAF define quatro níveis de analfabetismo

Analfabetismo: Corresponde à condição dos que não conseguem realizar tarefas simples que envolvem a leitura de palavras e frases, ainda que uma parcela destes consiga ler números familiares (números de telefone, preços etc.).

Alfabetismo nível rudimentar: Corresponde à capacidade de localizar uma informação explícita em textos curtos e familiares (como um anúncio ou pequena carta), ler e escrever números usuais e realizar operações simples, como manusear dinheiro para o pagamento de pequenas quantias ou fazer medidas de comprimento usando a fita métrica.

Alfabetismo nível básico: As pessoas classificadas neste nivel podem ser consideradas funcionalmente alfabetizadas, pois já lêem e compreendem textos de média extensão, localizam informações mesmo que seja necessário realizar pequenas inferências, lêem números na casa dos milhões, resolvem operações e tem noção de proporcionalidade.  Mostram, no entanto, limitações quando as operações requeridas envolvem maior número de elementos, etapas e relações.

Alfabetismo nível pleno: Classificadas neste nível estão as pessoas cujas as habilidades não mais impõem restrições para comreender a interpretar textos em situações usuais: lêem textos mais longos, analisando e relacionando suas partes,  comparam e avaliam informações, distiguem fato de opinião, realizam inferências e sínteses. Quanto à matemática, resolvem probemas que maior planejamento e controle, envolvendo percentuais, proporções e cálculo de área, além de interpretar tabelas de dupla entrada, mapas e gráficos.

MOVA EM SÍNTESE

Objetivo: alfabetizar 180 mil jovens e adultos em 2009 e reduzir os indíces paraenses em 50% até 2010. Por esse processo busca-se incluir na escola segmentos da população amazônica que não tiveram acesso à escolarização básica, como jovens, adultos, pessoas com necessidades especiais, quilombolas, pescadores, indígenas, pessoas em cárceres, entre outras.

Parceiros: Sociedade civil e organizações sociais.

Investimento total: R$ 22,6 milhões, para o pagamento de bolsas dos alfabetizadores e coordenadores de turma, formação inicial e continuada, assessoramento e acompanhamento dos alfabetizadores e alunos, além de compra de material didático e merenda escolar.

Espaço educativo: Todo e qualquer espaço em que se possa desenvolver o processo de ensino-aprendizagem, tais como: centros comunitários, escolas públicas, casa de alfabetizadores, igejas, aldeias indigenas, quilombos, instituições govenramentais, etc.

Bolsistas: Os alfabetizadores inscritos na campanha recebem uma bolsa mensal no valor de R$ 250,00  e os coordenadores que fazem o acompanhamento das turmas durante um processo de 8 meses são contemplados com uma bolsa mensal de R$500,00.

Pré-requisitos para funcionamento da turma:

- Coordenação: um coordenador fica responsável por 10 turmas
- Quantidade de alfabetizandos: mínimo de 15 alunos para turmas de zona rural e 20 para zona urbana.
- Escolaridade exigida: ensino médio completo para o coordenador e para o alfabetizador com turma na zona urbana. E ensino fundamental completo para o alfabetizador com turma na zona rural.

"MÉTODO" FREIRIANO [ALGUMAS CONSIDERAÇÕES]

- Pressupostos fortemente ancorados nas experiências de Freire  na alfabetização de jovens e adultos e alirceçada numa base antropológica que defende a educação como um instrumento de emancipação humana, de exercício da cidadania, de conscientização do trabalhador pela práxis educativa, por intermédio de um processo dialógico que relacione sempre o "estudado" com o "vivido".

-Para Freire, o diálogo deve começar na definição do conteúdo programático.
Dessa forma, para efeitos didáticos pode-se distinguir três momentos distintos na linha metodológica do processo de alfabetização pelo prisma freiriano:

1º passo: investigação temática (diagnosticar aquilo que o aluno já traz de sua vivência.)

2º passo: tematização (a partir das questões significativas, chega-se aos temas geradores.)

3º psso: problematização (descobrir o sentido daquele conhecimento para o aluno, momento cujo o ápice é a conscientização).

Questões significativas - temas geradores - conteúdo programático

- Alfabetização sob uma perspectiva tradicional:

Letra - sílaba - palavra - frase - texto - contexto

- Alfabetização sob a perspectiva freiiana:
Contexto - texto - frase - palavra - sílaba - letra

"A leitura do mundo antecede a leitura da palavra". (Freire)






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